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O Ritmo que a Lagoa Ensina

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É cedo. Antes do trânsito, da agitação, da pressa do dia. O céu ainda decide a cor. A água da lagoa está quieta. E já tem gente acordada, de pé, respirando propósito.

Nas praias, nos estúdios, nos quintais, a Lagoa da Conceição acorda junto com o sol, e acorda em movimento. Surf, yoga, corrida, meditação. Um bem-estar que surge naturalmente, simples assim, da mesma forma que se toma café.


Angela Prazeres mora aqui há 24 anos e ainda repara nisso.

“A cultura de bem-estar do bairro é genuína, verdadeira, vivida na rotina diária dos moradores”, ela diz.

Angela é professora de yoga formada na Índia, fundadora do Instituto Seiva, um santuário ecológico de 15 hectares encravado no Sertão do Peri, dentro da zona de preservação da Lagoa do Peri, e alguém que aprendeu a distinguir o que é estilo de vida do que é estética de estilo de vida. A diferença, ela sabe, mora exatamente nessa hora que ninguém fotografa.

sul da ilha virou, ao longo dos anos, um polo silencioso de saúde. Silencioso porque não se anunciou assim. Foi acontecendo por acumulação, pela chegada de pessoas que buscavam algo que as cidades grandes não ofereciam mais, e que foram ficando e construindo. Estúdios de yoga. Feiras orgânicas. Cafés de kombucha e tigela de açaí. Espaços de massagem, de dança, de terapia. Uma economia inteira que cresceu em volta do cuidado com o corpo e com a mente.

Mas antes de virar tendência mundial, o bem-estar já era o jeito de viver de quem morava aqui. O pescador que conhece a hora da maré. A criança que vai à escola de bicicleta. Os vizinhos que se conhecem. O ritmo desacelerado não era uma conquista, era o clima.


“Não há como não parar e se emocionar com a natureza que se apresenta com tamanha beleza”, diz Angela.


Os pássaros, as borboletas, as cores do céu sobre a lagoa, os macacos, as flores.


“Isso quebra o mindset da vida corrida, dos compromissos, da pressão externa. É um jeito de viver em outro ritmo.”


A lagoa faz isso com as pessoas. Não pede licença.

Em sânscrito, existe uma palavra para o que acontece quando um grupo de pessoas decide, conscientemente ou não, caminhar na mesma direção: Sangha. Comunidade de praticantes. Uma rede de pessoas que compartilham valores, que buscam o autoconhecimento, que se fortalecem umas nas outras sem precisar ser iguais.

Angela acredita que o maior poder do yoga está exatamente aí, no que se cria entre as pessoas quando elas param juntas, respiram juntas, ficam em silêncio juntas.

“Através do yoga criamos esse elo, essa união, esse fortalecimento de um despertar pessoal e coletivo para nos tornarmos pessoas mais conscientes e saudáveis, física, espiritual e emocionalmente.”

Ângela Prazeres.

A Sangha da Lagoa, porém, não cabe dentro de nenhuma sala. Ela transborda. Está na feirinha de sábado, no grupo de corrida de domingo, na conversa na beira da água depois do surf. Está no restaurante vegetariano que abriu porque tinha clientela, e na clientela que se formou porque o restaurante abriu. Uma comunidade que cuida do corpo cuida do lugar onde vive. Isso não é coincidência.

Essa mesma energia foi o que a Engenho buscou quando convidou Angela para liderar a parte de yoga do Summit Pode Crê, evento que marcou o início de uma nova linda história. Um momento de conexão, propósito e visão de futuro, a materialização de um sonho que nasceu da vontade de fazer diferente, de construir com significado, de acreditar que grandes projetos começam quando pessoas compartilham a mesma energia.

Angela, com sua prática de duas décadas conectando corpo e comunidade, foi quem abriu esse espaço, guiando lideranças e equipes para o mesmo estado de presença que ela cultiva todos os dias no Sertão do Peri. Nasceu ali, em círculo de respiração coletiva, a prova de que o que a Engenho viria a construir no Figueira da Lagoa já estava sendo praticado.

A lagoa, Angela descreve, é “a mãe acolhedora, bela e também intempestiva. Abundante e generosa.” Tem dias que é espelho, calmaria, fartura de peixe, siri, camarão para os pescadores. Tem dias que é turbulência, vento, onda para os kitesurfers. Na lua cheia, poesia. Nos fins de semana, agito e refrescor.

Viver bem aqui não é encontrar o momento em que a lagoa está calma. É aprender a existir em todos os seus estados. O yoga ensina isso. A Lagoa da Conceição também.

Texto: Angela Prazeres — Conduziu a prática de yoga no Summit Pode Crê, evento inicial do Figueira da Lagoa, proporcionando um momento de presença, conexão e bem-estar aos participantes.

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